Avanço no tratamento da fibrilação atrial

A fibrilação atrial implica em risco aumentado de complicações sérias como eventos embólicos (AVC, por exemplo) e em aumento de mortalidade.

Nesse momento estão em curso estudos que objetivam comprovar o impacto em melhora da sobrevida nos pacientes submetidos a ablação. Ao mesmo tempo, o novo consenso europeu subiu uma escala na indicação de ablação. O paciente refratário a uma classe de antiarrítmico deve ser orientado quanto a possibilidade do procedimento (indicação classe I), e mesmo naqueles em que não foi utilizado antiarrítmico há a possibilidade de ablação dependendo do contexto (MANTRA PAF/ RAAFT).

No que diz respeito a diminuição do risco embólico há grandes novidades no campo dos anticoagulantes, mas também em relação a procedimentos definitivos;  e a oclusão percutânea de auriculeta em sido utilizada com sucesso.

Em alguns pacientes haveria beneficio na indicação dupla, ou seja, de ablação da arritmia e oclusão de auriculeta, motivo pelo qual o estudo discutido a seguir foi realizado (Ablation for Atrial Fibrillation in Combination With Left Atrial Appendage Closure: First Results of a Feasibility Study Martin J. Swaans, Martijn C. Post, Benno J.W.M. Rensing. J Am Heart Assoc. 2012;1:e002212 doi: 10.1161/JAHA.112.002212).

 

Nesse estudo, o grupo holandes selecionou 30 pacientes com FA sem doença valvar e indicação de ablação, além de risco embólico “não desprezível”, ou seja, CHADS2>0. A ablação da arritmia transcorreu da forma convencional, com isolamento elétrico de veias pulmonares, técnica conhecida pela maioria dos eletrofisiologistas modernos. Em seguida, e com auxilio de Ecocardiograma transesofagico foi realizada a oclusão de auriculeta, também com a técnica padrão e utilizando o mesmo acesso venoso do início do procedimento. A anticoagulação persistiu por pelo menos 2 meses após o procedimento e conforme o caso era então substituída pelo uso de AAS.

 

O tempo médio do procedimento foi de 97 minutos e a oclusão total da auriculeta foi obtida em 27 dos 30 pacientes. Mesmo nos 3 com fluxo residual, este era mínimo garantindo benefício clínico, fato comprovado por outros estudos previamente publicados.

Dos 30 pacientes, um teve hematoma em região oral por manipulação do probe do ECO e 2 no local da punção venosa. Não houve outro evento grave neste grupo de pacientes.

 

Obviamente, como em todo procedimento invasivo, os índices de complicação não são desprezíveis e as 2 técnicas tem, individualmente, um número maior de complicações que o descrito.

A validade do estudo, no entanto, é demonstrar pela primeira vez em série de pacientes, a possibilidade de realização do procedimento em um tempo, pela mesma equipe.

 

O tratamento da fibrilação atrial persiste em incrível desenvolvimento, mas a possibilidade de realização pelo eletrofisiologista do controle da arritmia e ao mesmo tempo diminuir o risco de embolias parece muitíssimo interessante.

Vale lembrar que há poucos anos atrás a melhor opção para controle de risco de embolias era o uso de anticoagulantes orais: que demandavam coleta de sangue periódico para controle (e mesmo assim, no melhor dos cenários, apenas 2/3 dos pacientes estavam tratados adequadamente_”EUROHeartSurvey”), e quanto ao controle da arritmia, quando possível, se dava com sucessivas tentativas de cardioversão elétrica ou implante de marcapasso com uso de fármacos em altas doses. Há um longo caminho a trilhar, mas os avanços atuais são evidentes.

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Sobre arritmiacardiaca

cardiologista e arritmologista www.niltoncarneiro.com.br
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