Oclusão de auriculeta – alternativa a anticoagulação em alguns pacientes

A fibrilação atrial é a arritmia mais comumente encontrada na prática médica que necessita de acompanhamento. Nem por isso ela é desprovida de riscos – muito pelo contrário. O risco de formação de coágulos dentro do coração e embolia (causando derrame, infarto ou isquemia de outros órgãos) aumenta nesses pacientes, e de acordo com as características individuais, o paciente pode necessitar de tratamento que diminua a chance de embolias. Esse tratamento consistia até pouco tempo atrás apenas na escolha por utilizar AAS ou algum anticoagulante oral (varfarina, p ex) – sendo este último mandatório em alguns indivíduos de maior risco para formação de coágulos.
No entanto, o uso do anticoagulante oral demanda controle da ação da droga com coletas periódicas de amostra de sangue. Além disso, frequentemente os pacientes apresentam alguma outra condição que aumenta o risco de sangramento ou mesmo contra indica o uso dessa medicação.
Os novos anticoagulantes como o dabigatran, apixaban, rivaroxaban e brevemente o edoxaban trazem o beneficio do paciente não precisar fazer essas coletas periódicas de sangue. No entanto, não há evidencia cientifica ainda de que sejam úteis nos pacientes com maior risco de embolia como aqueles com problemas nas valvas cardíacas.
Obviamente, os problemas de aderência do paciente a uma medicação de uso diário, e as interações medicamentosas com outros fármacos também permanecem.
Uma vez que a formação de coágulos na fibrilação atrial acontece na sua imensa maioria em uma região denominada auriculeta, cirurgiões passaram a “suturar” essa estrutura naqueles pacientes que tinham fibrilação atrial e já seriam submetidos a algum procedimento cardio cirúrgico.
Com a “exclusão” da auriculeta foi observada menor incidência de embolias, e a terapia mostrou-se promissora, apesar de muito invasiva já que demandava a exposição dos órgãos torácicos através de cirurgia cardíaca.
Atualmente há possibilidade de “exclusão da auriculeta” através de procedimento menos invasivo. Esse procedimento já passou por várias fases de teste e encontra-se liberado pelos órgãos regulamentares para realização, incluindo o Brasil.
Atualmente, os 2 dispositivos mais utilizados são o Amplatzer Cardiac Plug e o watchman (no Brasil, até o momento o primeiro encontra-se liberado pela ANVISA).
Eles são implantados através de punção em veia femoral, passagem trans septal e são colocados na desembocadura da auriculeta com auxílio de imagem de raio x e ecocardiograma. Dessa forma impedem o deslocamento de coágulos para a circulação.
Um grande estudo denominado PROTECT AF, com mais de 700 pacientes, demonstrou que a efetividade em prevenir embolias do dispositivo utilizado foi comparável ao uso do anti coagulante oral, dispensando uso crônico diário de medicação, controle rotineiro com exames de sangue, e diminuindo chance a longo prazo de sangramento. O risco de complicações do procedimento foi incluído nesse cálculo e a análise neste grupo mostrou-se com boa relação risco / beneficio.
Este procedimento utiliza técnica semelhante a necessária para a ablação da fibrilação atrial, de forma que em grupo selecionado de pacientes, pode-se realizar ao mesmo tempo a ablação da arritmia e a oclusão de auriculeta.
Obviamente, aspectos individuais e anatômicos definem quais pacientes são candidatos a esta técnica, mas só a possibilidade de poder proteger alguns pacientes que por contra indicação ou insucesso não poderiam usar os anticoagulantes orais já é motivo para entusiasmo.
A fibrilação atrial, arritmia mais comumente tratada pelo cardiologista, tem sido tratada nos últimos 10 anos com mais eficácia, com foco na diminuição de sintomas, prevenção de recorrência e complicações, com melhora na qualidade de vida.

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Sobre arritmiacardiaca

cardiologista e arritmologista www.niltoncarneiro.com.br
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